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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Reflexão Crítica


A disciplina de Pesquisa em Ciência da Informação ministrada pelo Prof. Dr. André Porto Ancona Lopez em conjunto com a Profª Drª Sofia Galvão Baptista trouxe importantes reflexões acerca da Ciência e mais especificamente da Ciência da Informação (CI). Conforme explicitado por Tomanik (2004) a definição de Ciência é bastante controversa, além da impossibilidade de se ter uma definição única e permanente devido ao seu caráter dinâmico em se constituir num corpo de conhecimentos efetivo e útil. Por vários motivos os limites das ciências estão sempre sendo discutidos e avaliados, o que torna impossível se ter uma definição única e permanente. Ao se adotar um determinado conceito de ciência, corre-se o risco (principalmente para quem esteja iniciando no mundo da pesquisa) de deixar de perceber toda a complexidade e o dinamismo desse universo e passe a considerar que a única ciência viável é aquela compreendida na definição adotada. Assim, para compreender o processo científico, Tomanik (2004) sugere algumas informações básicas que serão significativas para entender o conteúdo dos textos científicos, tais como: objetos, métodos e objetivos das ciências em geral, ou de uma ciência específica.
Ciência se faz por meio de trabalhos de pesquisa e esta é a ferramenta para se adquirir conhecimento.  Na opinião de Richardson (2012, p. 16) a pesquisa poderá ter os seguintes objetivos: resolver problemas específicos ou descrever um fenômeno da melhor forma possível, gerar teorias ou avaliar teorias existentes. Não existe pesquisa sem teoria. O processo de pesquisa exige atitude do pesquisador no sentido de reorganizar o conceito do saber, novo olhar com vistas a perceber a incerteza, a relatividade, a obscuridade e a ambiguidade do conceito “verdade científica”.  O questionamento poderá conduzir a significativos avanços na formação e socialização do saber.
Mas “a ciência não é ‘dona’ da verdade; toda ‘verdade’ científica tem caráter probabilístico”. No entanto, “pode-se aceitar que a ciência é uma forma de adquirir ‘conhecimento’, ‘compreensão’, crença da falsidade ou veracidade de uma proposição”. (RICHARDSON, 2012, p. 18).
Há que ser sensível às condições em que vive a sociedade e às exigências de sua transformação, para uma evolução constante. Para isto deve-se com base nas teorias existentes, compreender um determinado fenômeno, desenvolver pesquisas, reflexões e inferências acerca deste fenômeno e procurar avançar o conhecimento. O conhecimento caracteriza-se pela procura do porquê de um fenômeno, e tenta explicar a ocorrência do fenômeno, o que Pinto (1985) citado por Richardson (2012) definiu como saber metódico. 
Necessita-se colaborar no desenvolvimento da ciência, fazer avançar este conhecimento científico aplicando-se o instrumental da ciência aos objetos e situações, buscando-se seu desenvolvimento e sua explicação (SEVERINO, 1986, p. 189).
No pré-projeto de pesquisa, apresenta-se a proposta de trabalhar o processo de disclosure das informações das Instituições de Ensino Superior (IES) por meio do conhecimento interdisciplinar recíproco entre Ciência da Informação e Ciências Contábeis de tal forma que haja enriquecimento mútuo para ambas.  
A contabilidade brasileira vem sofrendo grandes alterações devido ao processo de convergência com as normas internacionais de contabilidade. Além disso, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – OCDE elaborou, em 1999, uma lista de princípios básicos contendo recomendações de práticas de governança que, tornaram-se benchmark internacional para práticas de governança corporativa em todo o mundo.
O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – IBGC organizou o Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa. Governança corporativa é o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas e tem como princípios básicos: transparência, equidade, prestação de contas (accountability) e responsabilidade corporativa.
O crescimento da população e os avanços tecnológicos fazem com que a área educacional seja demandada cada vez mais. A transparência na evidenciação da informação permitirá maior visibilidade para toda a comunidade, além de conformidade com as recomendações internacionais de governança proposta pela OCDE.
Os modelos de relatórios do Global Reporting Initiative –GRI também poderão contribuir no disclosure das informações das IES.
Apesar da existência da OCDE, do IBGC e do GRI, no entanto, o que se percebe é que, no Brasil, não há uniformidade na forma de divulgar informação por parte das IES. Algumas divulgam em seus sítios eletrônicos, outras não. Com relação aos relatórios de natureza não obrigatória, muitas não os elaboram, ou são elaborados de forma incipiente. 
Considerando que as IES objetivam gerar avanços científicos, tecnológicos, artísticos e culturais, por meio do ensino, da pesquisa e da extensão, produzindo e socializando conhecimento para formar cidadãos com capacidade de implementar soluções que promovam o desenvolvimento sustentável  e, que devem atuar com base nos princípios éticos, democráticos, transparentes, responsabilidade social, interlocução e parceria com a sociedade é míster que o gerenciamento de sua informação deva ser perpassado pela excelência, transparência, inovação, funcionabilidade, usabilidade, buscando desenhar seu espaço informacional com vistas a uma melhor visualização, busca e recuperabilidade e, compartilhamento de sua informação. Por meio deste estudo vislumbra-se contribuir para viabilizar um espaço informacional que possa cobrir um grande número das deficiências atuais de informação e seu processo de comunicação, e desta forma a informação poderá interagir melhor com a comunidade de usuários e o contexto em que estão inseridos.  
Como instituição propulsora do saber, as IES têm que se preocupar em dar mais transparência para as suas ações e demonstrar elevado nível para a representação e organização da informação e do conhecimento em todos os segmentos, tanto nas atividades fins como nas atividades meio. Enquanto instituição de ensino superior, com enormes compromissos sociais, deverão disseminar a informação de uma forma mais ágil, dinâmica e inovadora e voltar sua atenção para aprimorar seu gerenciamento de informação. Este estudo almeja uma melhor evidenciação da informação das IES para o conhecimento e a compreensão, em harmonia com a CI. O potencial criativo da Arquitetura da Informação também poderá contribuir na representação e organização da informação o que poderá ampliar os horizontes dos usuários numa sociedade da informação e assim tornar-se a sociedade da informação e do conhecimento. Isso envolve mudanças e provavelmente resistências, mas estas características fazem parte de todo processo inovador.

REFERÊNCIAS
RICHARDSON, Jarry Roberto. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3. ed. rev. 14. reimpr. São Paulo: Atlas, 2012.
SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 14. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 1986.
TOMANIK, Eduardo Augusto. O olhar no espelho: “conversas” sobre a pesquisa em Ciências Sociais. 2. ed. rev. Maringá: Eduem, 2004.

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