A disciplina de Pesquisa em
Ciência da Informação ministrada pelo Prof. Dr. André Porto Ancona Lopez em
conjunto com a Profª Drª Sofia Galvão Baptista trouxe importantes reflexões
acerca da Ciência e mais especificamente da Ciência da Informação (CI).
Conforme explicitado por Tomanik (2004) a definição de Ciência é bastante
controversa, além da impossibilidade de se ter uma definição única e permanente
devido ao seu caráter dinâmico em se constituir num corpo de conhecimentos
efetivo e útil. Por vários motivos os limites das ciências estão sempre sendo
discutidos e avaliados, o que torna impossível se ter uma definição única e
permanente. Ao se adotar um determinado conceito de ciência, corre-se o risco
(principalmente para quem esteja iniciando no mundo da pesquisa) de deixar de
perceber toda a complexidade e o dinamismo desse universo e passe a considerar
que a única ciência viável é aquela compreendida na definição adotada. Assim,
para compreender o processo científico, Tomanik (2004) sugere algumas
informações básicas que serão significativas para entender o conteúdo dos
textos científicos, tais como: objetos, métodos e objetivos das ciências em
geral, ou de uma ciência específica.
Ciência se faz por meio de trabalhos de pesquisa e esta é a ferramenta
para se adquirir conhecimento. Na
opinião de Richardson (2012, p. 16) a pesquisa poderá ter os seguintes
objetivos: resolver problemas específicos ou descrever um fenômeno da melhor forma
possível, gerar teorias ou avaliar teorias existentes. Não existe pesquisa sem
teoria. O processo de pesquisa exige atitude do pesquisador no sentido de
reorganizar o conceito do saber, novo olhar com vistas a perceber a incerteza,
a relatividade, a obscuridade e a ambiguidade do conceito “verdade científica”.
O questionamento poderá conduzir a
significativos avanços na formação e socialização do saber.
Mas “a ciência não é ‘dona’ da verdade; toda ‘verdade’ científica tem
caráter probabilístico”. No entanto, “pode-se aceitar que a ciência é uma forma
de adquirir ‘conhecimento’, ‘compreensão’, crença da falsidade ou veracidade de
uma proposição”. (RICHARDSON, 2012, p. 18).
Há que ser sensível às condições em que vive a sociedade e às exigências
de sua transformação, para uma evolução constante. Para isto deve-se com base
nas teorias existentes, compreender um determinado fenômeno, desenvolver
pesquisas, reflexões e inferências acerca deste fenômeno e procurar avançar o
conhecimento. O conhecimento caracteriza-se pela procura do porquê de um
fenômeno, e tenta explicar a ocorrência do fenômeno, o que Pinto (1985) citado
por Richardson (2012) definiu como saber metódico.
Necessita-se colaborar no desenvolvimento da ciência, fazer avançar este
conhecimento científico aplicando-se o instrumental da ciência aos objetos e
situações, buscando-se seu desenvolvimento e sua explicação (SEVERINO, 1986, p.
189).
No pré-projeto de pesquisa, apresenta-se a proposta de trabalhar o
processo de disclosure das
informações das Instituições de Ensino Superior (IES) por meio do conhecimento
interdisciplinar recíproco entre Ciência da Informação e Ciências Contábeis de
tal forma que haja enriquecimento mútuo para ambas.
A
contabilidade brasileira vem sofrendo grandes alterações devido ao processo de
convergência com as normas internacionais de contabilidade. Além
disso, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – OCDE elaborou,
em 1999, uma lista de princípios básicos contendo recomendações de práticas de
governança que, tornaram-se benchmark internacional
para práticas de governança corporativa em todo o mundo.
O
Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – IBGC organizou o Código das
Melhores Práticas de Governança Corporativa. Governança corporativa é o sistema
pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas e tem como
princípios básicos: transparência, equidade, prestação de contas (accountability) e responsabilidade
corporativa.
O
crescimento da população e os avanços tecnológicos fazem com que a área
educacional seja demandada cada vez mais. A transparência na evidenciação da informação
permitirá maior visibilidade para toda a comunidade, além de conformidade com
as recomendações internacionais de governança proposta pela OCDE.
Os
modelos de relatórios do Global Reporting
Initiative –GRI também poderão contribuir no disclosure das informações das
IES.
Apesar
da existência da OCDE, do IBGC e do GRI, no entanto, o que se percebe é que, no
Brasil, não há uniformidade na forma de divulgar informação
por parte das IES. Algumas divulgam em seus sítios eletrônicos, outras não. Com
relação aos relatórios de natureza não obrigatória, muitas não os elaboram, ou
são elaborados de forma incipiente.
Considerando que as IES objetivam gerar avanços científicos, tecnológicos,
artísticos e culturais, por meio do ensino, da pesquisa e da extensão,
produzindo e socializando conhecimento para formar cidadãos com capacidade de
implementar soluções que promovam o desenvolvimento sustentável e, que devem atuar com base nos princípios
éticos, democráticos, transparentes, responsabilidade social, interlocução e
parceria com a sociedade é míster que o
gerenciamento de sua informação deva ser perpassado pela excelência,
transparência, inovação, funcionabilidade, usabilidade, buscando desenhar seu
espaço informacional com vistas a uma melhor visualização, busca e
recuperabilidade e, compartilhamento de sua informação. Por meio deste estudo vislumbra-se
contribuir para viabilizar um espaço informacional que possa cobrir um grande
número das deficiências atuais de informação e seu processo de comunicação, e
desta forma a informação poderá interagir melhor com a comunidade de usuários e
o contexto em que estão inseridos.
Como instituição propulsora do saber, as
IES têm que se preocupar em dar mais transparência para as suas ações e
demonstrar elevado nível para a representação e organização da informação e do
conhecimento em todos os segmentos, tanto nas atividades fins como nas
atividades meio. Enquanto instituição de ensino superior, com enormes
compromissos sociais, deverão disseminar a informação de uma forma mais ágil, dinâmica
e inovadora e voltar sua atenção para aprimorar seu gerenciamento de
informação. Este estudo almeja uma
melhor evidenciação da informação das IES para o conhecimento e a compreensão, em
harmonia com a CI. O potencial criativo da Arquitetura da Informação também
poderá contribuir na representação e organização da informação o que poderá
ampliar os horizontes dos usuários numa sociedade da informação e assim tornar-se
a sociedade da informação e do conhecimento. Isso envolve mudanças e
provavelmente resistências, mas estas características fazem parte de todo
processo inovador.
REFERÊNCIAS
RICHARDSON, Jarry Roberto. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3.
ed. rev. 14. reimpr. São Paulo: Atlas, 2012.
SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 14.
ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 1986.
TOMANIK, Eduardo Augusto. O olhar no espelho: “conversas” sobre a
pesquisa em Ciências Sociais. 2. ed. rev. Maringá: Eduem, 2004.

